Uma conversa com Rafa Benincasa, fundadora da Monarca, sobre os desafios de viver no exterior, reconstruir a própria identidade e descobrir novos caminhos sem abandonar os próprios sonhos.
Mudar de país é muito mais do que atravessar fronteiras geográficas. É também atravessar fronteiras emocionais, culturais e pessoais.
Quando uma mulher deixa seu país, muitas vezes deixa para trás uma carreira, uma rotina, amizades, familiares e uma identidade que levou anos para construir.
E então surge uma pergunta profunda:
Quem sou eu quando tudo aquilo que me definia já não faz parte da minha rotina?
Essa foi uma das reflexões centrais da minha conversa com Rafa Benincasa, brasileira de Brasília, mentora de autoconhecimento para mulheres migrantes e fundadora da Monarca, um projeto dedicado a ajudar mulheres a transformar os desafios da vida internacional em oportunidades de crescimento e realização pessoal.
Durante nossa entrevista no Franciele Egher Podcast, conversamos sobre imigração, maternidade, carreira, identidade, crenças, escolhas e a importância de assumir o protagonismo da própria história.
Uma brasileira que se reinventou pelo mundo
A trajetória internacional de Rafa começou em 2014, quando deixou o Brasil para acompanhar a carreira do marido.
Desde então, viveu no Panamá, na África do Sul, na Suíça, retornou ao Panamá e atualmente mora na Cidade do México.
Formada em Administração, Rafa iniciou essa jornada acreditando que conseguiria continuar sua carreira profissional no exterior.
Mas a realidade foi diferente.
Ao chegar ao Panamá, encontrou desafios que não havia previsto: não dominava o idioma, não possuía autorização de trabalho, não conhecia pessoas e descobriu que o mercado profissional era muito mais limitado do que imaginava.
Depois de quase um ano procurando oportunidades, finalmente conseguiu uma proposta de emprego em uma multinacional.
Foi justamente naquele momento que uma nova mudança aconteceu: seu marido seria transferido para a África do Sul.
Mais uma vez, seus planos precisariam ser reconstruídos.
O que inicialmente parecia uma sequência de frustrações acabou abrindo espaço para uma transformação profunda.
Na África do Sul, Rafa começou a investir no próprio desenvolvimento, estudou, realizou trabalhos voluntários, correu sua primeira meia maratona, tornou-se mãe e conquistou sua primeira certificação internacional em coaching.
Foi nesse período que encontrou um novo propósito profissional.
Sua experiência mostra que uma pausa na carreira não precisa representar uma pausa no crescimento pessoal.
Nem sempre conseguimos controlar as circunstâncias da vida, mas podemos descobrir novas possibilidades na maneira como escolhemos atravessá-las.
Método Monarca: a transformação de mulheres que atravessam fronteiras
Um dos momentos mais interessantes da entrevista foi conhecer a origem do nome Monarca.
Rafa buscava um símbolo que representasse transformação, movimento e reinvenção.
Foi então que encontrou inspiração na borboleta-monarca, conhecida por suas longas migrações.
Assim como a borboleta, muitas mulheres atravessam fronteiras, enfrentam mudanças profundas e precisam encontrar novos caminhos para continuar sua jornada.
A Monarca nasceu desse simbolismo.
Com uma metodologia fundamentada no coaching e no autoconhecimento, Rafa trabalha três pilares importantes:
* Clareza: compreender quem você é, seus valores e o que realmente importa.
* Planejamento: identificar possibilidades e construir caminhos alinhados aos seus objetivos.
* Ação: transformar reflexões em escolhas e movimentos concretos.
Seu trabalho acolhe especialmente mulheres que deixaram suas carreiras para acompanhar uma oportunidade profissional do parceiro, frequentemente chamadas de trailing spouses.
Ao longo da entrevista, Rafa trouxe uma reflexão poderosa:
Apoiar os sonhos de quem amamos não significa que precisamos abandonar os nossos.
Essa mensagem representa a essência da Monarca: ajudar mulheres a reconhecer seus talentos, recuperar a confiança e construir uma vida que também faça sentido para elas.
🎙️ Assista à entrevista completa com Rafa Benincasa
Quer conhecer mais sobre o Método Monarca e ouvir as experiências e reflexões que compartilhamos nessa conversa?
No Franciele Egher Podcast, exploramos como a imigração pode despertar questionamentos profundos sobre identidade, propósito, relacionamentos, carreira e realização pessoal.
▶️ Clique aqui para assistir à entrevista completa com Rafa Benincasa no YouTube
Uma conversa especialmente inspiradora para mulheres que vivem no exterior, estão planejando uma mudança ou desejam encontrar novos caminhos em suas vidas.
Quando a mulher perde suas referências, mas não perde seu potencial
Durante nossa conversa, compartilhei algo que observo frequentemente vivendo no Canadá e trabalhando há muitos anos como cabeleireira.
Atrás da cadeira do salão, escuto histórias de mulheres que chegaram ao país acompanhando seus parceiros.
Algumas tinham carreiras consolidadas no Brasil. Outras deixaram empresas, famílias, amizades e uma rotina na qual se sentiam independentes e reconhecidas.
Ao chegar ao novo país, muitas enfrentam dificuldades para trabalhar, comunicar-se em outro idioma e estabelecer novas conexões.
Enquanto o marido segue sua rotina profissional e os filhos começam a frequentar a escola, essa mulher pode se encontrar sozinha, tentando compreender seu novo lugar no mundo.
A mudança de país pode trazer uma sensação de invisibilidade.
Mas uma das mensagens mais importantes da nossa conversa foi reconhecer que a identidade de uma mulher é muito maior do que sua profissão, seu estado civil ou o país onde vive.
Uma mudança pode interromper determinados caminhos, mas também oferecer oportunidades de conhecer partes de si mesma que ainda não haviam sido exploradas.
E isso não significa romantizar as dificuldades da imigração.
Significa reconhecer as dores sem permitir que elas sejam a única narrativa da nossa história.
Você não precisa estar trabalhando para continuar crescendo
Uma das experiências mais marcantes de Rafa aconteceu quando percebeu que não conseguiria exercer sua profissão na África do Sul.
Em vez de medir seu desenvolvimento exclusivamente pelo trabalho remunerado, começou a explorar outras formas de crescimento.
Fez cursos, leu livros, praticou atividades físicas, participou de trabalhos voluntários e descobriu novas habilidades.
Essa experiência transformou sua maneira de compreender o sucesso.
Na entrevista, refletimos sobre como muitas vezes associamos nossa identidade e nosso valor pessoal à produtividade profissional.
Entretanto, existem períodos em que a vida nos convida a desenvolver outras dimensões.
Aprender um idioma, estudar um novo assunto, cuidar da saúde emocional, construir amizades, explorar talentos ou dedicar-se a um projeto pessoal também são maneiras de avançar.
Nem toda evolução aparece em um currículo. Algumas das transformações mais profundas acontecem silenciosamente, enquanto reconstruímos nossa relação com nós mesmas.
Sair da plateia e assumir o protagonismo da própria vida
Outro tema importante da entrevista foi nossa relação com as redes sociais.
Rafa compartilhou como começou a produzir conteúdos e desenvolver sua presença digital.
Conversamos sobre a diferença entre consumir informações e colocar o conhecimento em prática.
Podemos assistir a inúmeros vídeos sobre comunicação, empreendedorismo, desenvolvimento pessoal e novas habilidades.
Mas é na experiência que realmente começamos a transformar o conhecimento em aprendizado.
Rafa utilizou uma metáfora muito interessante: não basta assistir a receitas para aprender a fazer um bolo. É preciso colocar a mão na massa.
O mesmo acontece com nossos sonhos.
Às vezes esperamos o momento ideal, a confiança perfeita ou todas as condições estarem organizadas antes de começar.
Mas o movimento também faz parte do processo de desenvolver confiança.
Não precisamos permanecer na plateia assistindo à vida acontecer. Podemos escolher entrar no palco e participar ativamente da nossa própria história.
E cada mulher pode descobrir qual é o seu palco.
Para algumas, será retornar ao mercado de trabalho. Para outras, empreender, estudar, desenvolver um talento ou simplesmente criar uma rotina mais alinhada aos próprios valores.
O importante é reconhecer que ainda temos escolhas.
Trocar o julgamento pela curiosidade: um novo olhar sobre a imigração
Rafa trouxe uma orientação especialmente importante para mulheres que estão chegando a um novo país: viver a experiência com abertura e curiosidade.
Quando imigramos, é natural comparar o novo lugar com tudo aquilo que conhecíamos.
A comida, o clima, as relações sociais, o idioma e até os pequenos hábitos cotidianos podem parecer estranhos.
Eu mesma compartilhei minha experiência ao chegar ao Canadá.
Embora já tivesse viajado por diferentes lugares do mundo, percebi que inicialmente estava muito presa às comparações com o Brasil.
Sentia falta do estilo de vida que conhecia e encontrava dificuldades para reconhecer as possibilidades disponíveis naquele novo ambiente.
A transformação começou quando passei a explorar, conhecer pessoas, criar conexões e experimentar novas maneiras de viver.
Rafa explicou que uma das práticas desenvolvidas na Monarca é justamente substituir o olhar de julgamento pelo olhar de curiosidade.
Em vez de pensar que determinada experiência é ruim simplesmente porque é diferente, podemos perguntar:
O que posso aprender com isso?
O que essa cultura tem para me ensinar?
Quais possibilidades eu ainda não conheço?
Essa mudança de perspectiva não elimina os desafios da imigração, mas pode ampliar nossa capacidade de adaptação.
Costume ou preferência: você sabe reconhecer a diferença?
Uma reflexão especialmente interessante surgiu quando Rafa falou sobre a diferença entre aquilo de que realmente gostamos e aquilo a que simplesmente estamos acostumadas.
Muitas vezes passamos décadas vivendo de determinada maneira e acreditamos que aquele é o único estilo de vida que nos faz felizes.
Mas, ao conhecer outras culturas, ambientes e experiências, descobrimos novas preferências.
A imigração oferece uma oportunidade singular de questionar hábitos e reconhecer possibilidades que antes nem imaginávamos existir.
Será que eu realmente prefiro o que conheço ou apenas nunca experimentei algo diferente?
Essa pergunta vai muito além de morar em outro país.
Ela também pode ser aplicada aos relacionamentos, à carreira, à maternidade, às escolhas pessoais e à maneira como organizamos nossa vida.
O viés de confirmação e as lentes com que enxergamos a vida
Durante nossa conversa, Rafa apresentou o conceito de viés de confirmação, um fenômeno estudado pela psicologia cognitiva.
Esse viés acontece quando tendemos a buscar, interpretar ou valorizar informações que confirmam nossas crenças anteriores.
Na imigração, por exemplo, quando acreditamos que determinado país é um lugar ruim para viver, podemos prestar mais atenção às experiências negativas e deixar de reconhecer aspectos positivos.
Isso não significa ignorar problemas reais ou acreditar que pensamentos positivos resolvem todas as dificuldades.
Significa desenvolver consciência sobre as interpretações que fazemos da realidade.
Rafa trouxe um exemplo pessoal: apesar de algumas avaliações internacionais desfavoráveis sobre a experiência de expatriados na África do Sul, aquele foi um dos períodos mais significativos da vida dela e de sua família.
Isso nos lembra que nossas experiências não são determinadas apenas pelo lugar onde estamos.
Elas também são influenciadas pelas nossas necessidades, relações, circunstâncias, escolhas e pela forma como interpretamos o que vivemos.
Imigrar não é para todas as pessoas — e reconhecer isso também é autoconhecimento
Um dos pontos que mais gostei na nossa conversa foi a maneira como Rafa abordou a imigração sem romantizá-la.
Nem toda mulher deseja viver no exterior.
Nem toda oportunidade internacional está alinhada com os valores e prioridades de uma família.
E não existe uma resposta universal para perguntas como:
* Devo acompanhar meu marido em uma mudança internacional?
* Devo continuar vivendo no exterior?
* Será que está na hora de voltar para o Brasil?
Para Rafa, o autoconhecimento ajuda a encontrar respostas mais conscientes.
Quando compreendemos nossos valores, nossas necessidades e o que realmente importa em cada fase da vida, conseguimos avaliar melhor nossas decisões.
A Monarca também acolhe mulheres que ainda estão planejando uma mudança internacional, permitindo que tenham contato com experiências de outras expatriadas antes de tomar essa decisão.
Porque o verdadeiro protagonismo não está em escolher permanecer ou partir.
Está em fazer escolhas conscientes, respeitando quem somos e a vida que desejamos construir.
Transformar a própria história sem apagar as dificuldades
Ao longo da entrevista, Rafa compartilhou o sentimento de orgulho que tem da mulher que se tornou desde sua primeira mudança internacional, em 2014.
Ela reconhece que deixar sua carreira foi uma das experiências mais difíceis e, ao mesmo tempo, uma das mais transformadoras de sua vida.
Os momentos de ansiedade, frustração e incerteza acabaram conduzindo-a a um trabalho muito mais conectado com seus talentos e seu propósito.
Sua história nos convida a refletir sobre os caminhos inesperados da vida.
Nem sempre conseguimos compreender uma mudança enquanto estamos atravessando suas dificuldades.
Algumas respostas aparecem somente depois.
E, às vezes, aquilo que inicialmente interpretamos como um desvio acaba revelando possibilidades que não conseguiríamos enxergar antes.
Não precisamos ter todas as respostas para continuar caminhando. O autoconhecimento também se constrói enquanto vivemos, experimentamos e recomeçamos.
Considerações finais: recomeçar também é uma forma de se reencontrar
A história de Rafa Benincasa nos lembra que a imigração não transforma apenas o endereço onde vivemos. Ela pode transformar a maneira como enxergamos nossos talentos, nossas relações, nossas prioridades e nossa própria identidade.
Viver no exterior envolve perdas, desafios, saudades, adaptações e descobertas.
Mas também pode abrir espaço para novas versões de nós mesmas.
Ao longo da minha própria trajetória no Canadá, venho compreendendo que sentir-se em casa também está relacionado à conexão que construímos conosco.
E, independentemente do país em que estamos, podemos continuar aprendendo, crescendo e fazendo escolhas alinhadas à vida que desejamos viver.
Porque recomeçar não significa abandonar quem fomos. Significa permitir que nossa história continue sendo escrita.
Essa foi uma das grandes mensagens que ficaram da nossa conversa: podemos reconhecer nossas dificuldades, acolher nossa trajetória e continuar construindo novos caminhos, sem precisar desistir dos nossos sonhos.
Assista à entrevista no Franciele Egher Podcast
Se você vive no exterior, está planejando uma mudança ou atravessa um momento de reinvenção pessoal, convido você a assistir à nossa conversa completa.
🎙️ Imigração, identidade, autoconhecimento e Método Monarca — com Rafa Benincasa
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Rafa Benincasa: conheça mais sobre seu trabalho com mulheres migrantes e o Método Monarca.
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Living Abroad: The Challenges of Immigration and How to Start a New Life
A conversation with Rafa Benincasa, founder of Monarca, about the challenges of living abroad, rebuilding your identity, and discovering new paths without giving up on your dreams.
Moving to another country is about much more than crossing geographical borders. It also means crossing emotional, cultural, and personal boundaries.
When a woman leaves her home country, she often leaves behind a career, a routine, friendships, family members, and an identity that took years to build.
And then a profound question arises:
Who am I when everything that once defined me is no longer part of my daily life?
This was one of the central reflections in my conversation with Rafa Benincasa, originally from Brasília, Brazil, a self-discovery mentor for migrant women and founder of Monarca, a project dedicated to helping women transform the challenges of international life into opportunities for personal growth and fulfillment.
During our interview on the Franciele Egher Podcast, we talked about immigration, motherhood, careers, identity, beliefs, choices, and the importance of taking ownership of our own stories.
A Brazilian Woman Who Reinvented Herself Around the World
Rafa’s international journey began in 2014, when she left Brazil to accompany her husband as he pursued his career abroad.
Since then, she has lived in Panama, South Africa, Switzerland, returned to Panama, and currently lives in Mexico City.
With a degree in Business Administration, Rafa began this journey believing she would be able to continue her professional career abroad.
But reality turned out to be different.
When she arrived in Panama, she faced challenges she had not anticipated: she did not speak the language fluently, did not have a work permit, did not know anyone, and discovered that the professional market was much more limited than she had imagined.
After almost a year of searching for opportunities, she finally received a job offer from a multinational company.
It was precisely at that moment that another change occurred: her husband was being transferred to South Africa.
Once again, her plans had to be rebuilt.
What initially seemed like a series of frustrations eventually created space for a profound transformation.
In South Africa, Rafa began investing in her personal development. She studied, volunteered, ran her first half-marathon, became a mother, and earned her first international coaching certification.
It was during this period that she discovered a new professional purpose.
Her experience shows that a career break does not have to mean a break in personal growth.
We cannot always control life’s circumstances, but we can discover new possibilities through the way we choose to navigate them.
The Monarca Method: Transforming the Lives of Women Who Cross Borders
One of the most interesting moments of the interview was learning about the origin of the name Monarca.
Rafa was looking for a symbol that represented transformation, movement, and reinvention.
She found inspiration in the monarch butterfly, known for its remarkable long-distance migrations.
Just like the butterfly, many women cross borders, experience profound changes, and need to discover new paths to continue their journeys.
Monarca was born from this symbolism.
Through a methodology grounded in coaching and self-discovery, Rafa works with three important pillars:
* Clarity: Understanding who you are, your values, and what truly matters to you.
* Planning: Identifying possibilities and building paths aligned with your goals.
* Action: Turning reflections into choices and concrete steps.
Her work particularly supports women who have left their careers to accompany their partners’ professional opportunities abroad, often referred to as trailing spouses.
Throughout the interview, Rafa shared a powerful reflection:
Supporting the dreams of those we love does not mean we have to give up our own.
This message represents the essence of Monarca: helping women recognize their talents, rebuild their confidence, and create lives that are meaningful to them, too.
🎙️ Watch the Full Interview with Rafa Benincasa
Would you like to learn more about the Monarca Method and hear the experiences and reflections we shared during this conversation?
On the Franciele Egher Podcast, we explore how immigration can bring profound questions about identity, purpose, relationships, career, and personal fulfillment to the surface.
▶️ Click here to watch the full interview with Rafa Benincasa on YouTube
An especially inspiring conversation for women who live abroad, are planning an international move, or wish to discover new directions in their lives.
When a Woman Loses Her Familiar Reference Points but Not Her Potential
During our conversation, I shared something I frequently observe while living in Canada and working as a hairstylist for many years.
Behind my salon chair, I hear stories from women who arrived in the country accompanying their partners.
Some had established careers in Brazil. Others left behind businesses, family, friendships, and routines in which they felt independent and recognized.
Upon arriving in a new country, many face difficulties finding employment, communicating in another language, and establishing new connections.
While their husbands continue their professional routines and their children begin attending school, these women may find themselves alone, trying to understand their new place in the world.
Moving to another country can create a feeling of invisibility.
But one of the most important messages from our conversation was recognizing that a woman’s identity is much greater than her profession, marital status, or the country where she lives.
A major change may interrupt certain paths, but it can also create opportunities to discover parts of ourselves that have not yet been explored.
And this does not mean romanticizing the difficulties of immigration.
It means acknowledging the pain without allowing it to become the only narrative of our story.
You Don’t Have to Be Working to Keep Growing
One of Rafa’s most significant experiences happened when she realized she would not be able to practice her profession in South Africa.
Instead of measuring her development exclusively through paid employment, she began exploring other forms of growth.
She took courses, read books, exercised, participated in volunteer work, and discovered new abilities.
This experience transformed her understanding of success.
During the interview, we reflected on how often we associate our identity and personal worth with professional productivity.
However, there are periods when life invites us to develop other dimensions of ourselves.
Learning a language, studying a new subject, taking care of emotional well-being, building friendships, exploring talents, or dedicating time to a personal project are also ways of moving forward.
Not every form of growth appears on a résumé. Some of the deepest transformations happen quietly as we rebuild our relationship with ourselves.
Stepping Out of the Audience and Becoming the Main Character of Your Own Life
Another important topic in the interview was our relationship with social media.
Rafa shared how she began creating content and developing her digital presence.
We discussed the difference between consuming information and putting knowledge into practice.
We can watch countless videos about communication, entrepreneurship, personal development, and new skills.
But it is through experience that we truly begin turning knowledge into learning.
Rafa used a very interesting metaphor: watching cooking videos is not enough to learn how to bake a cake. You have to get your hands dirty and actually make one.
The same is true of our dreams.
Sometimes, we wait for the perfect moment, complete confidence, or ideal circumstances before getting started.
But taking action is also part of the process of building confidence.
We do not have to remain in the audience, watching life happen. We can choose to step onto the stage and actively participate in our own stories.
And every woman can discover what her own stage looks like.
For some, it will mean returning to the workforce. For others, starting a business, studying, developing a talent, or simply creating a routine that is more aligned with their values.
What matters is recognizing that we still have choices.
Replacing Judgment with Curiosity: A New Perspective on Immigration
Rafa offered especially valuable guidance for women arriving in a new country: approach the experience with openness and curiosity.
When we immigrate, it is natural to compare our new surroundings with everything we once knew.
Food, weather, social relationships, language, and even small everyday habits can seem unfamiliar.
I also shared my own experience of arriving in Canada.
Although I had already traveled to different parts of the world, I realized that, at first, I was constantly comparing everything with Brazil.
I missed the lifestyle I knew and struggled to recognize the possibilities available in my new environment.
The transformation began when I started exploring, meeting people, building connections, and experiencing new ways of living.
Rafa explained that one of the practices developed through Monarca involves replacing judgment with curiosity.
Instead of deciding that an experience is bad simply because it is different, we can ask ourselves:
What can I learn from this?
What does this culture have to teach me?
What possibilities have I not yet discovered?
This shift in perspective does not eliminate the challenges of immigration, but it can expand our ability to adapt.
Habit or Preference: Do You Know the Difference?
A particularly interesting reflection emerged when Rafa discussed the difference between what we genuinely enjoy and what we are simply accustomed to.
We often spend decades living a certain way and come to believe that it is the only lifestyle that can make us happy.
But when we experience other cultures, environments, and ways of life, we discover new preferences.
Immigration offers a unique opportunity to question our habits and recognize possibilities we had never imagined.
Do I truly prefer what is familiar, or have I simply never experienced something different?
This question goes far beyond living in another country.
It can also apply to relationships, careers, motherhood, personal choices, and how we organize our lives.
Confirmation Bias and the Lenses Through Which We See Life
During our conversation, Rafa introduced the concept of confirmation bias, a phenomenon studied in cognitive psychology.
This bias occurs when we tend to seek out, interpret, or give greater importance to information that confirms our existing beliefs.
In the context of immigration, for example, if we believe that a particular country is a bad place to live, we may pay more attention to negative experiences while overlooking positive aspects.
This does not mean ignoring real problems or believing that positive thinking can solve every difficulty.
It means becoming more aware of how we interpret reality.
Rafa shared a personal example: despite some unfavorable international assessments of expatriate life in South Africa, her time there was one of the most meaningful periods of her life and her family’s journey.
This reminds us that our experiences are not determined solely by where we live.
They are also shaped by our needs, relationships, circumstances, choices, and the way we interpret what happens to us.
Immigration Is Not for Everyone — and Recognizing That Is Also Self-Discovery
One of the things I appreciated most about our conversation was Rafa’s approach to immigration without romanticizing it.
Not every woman wants to live abroad.
Not every international opportunity aligns with a family’s values and priorities.
And there is no universal answer to questions such as:
* Should I accompany my husband on an international move?
* Should I continue living abroad?
* Is it time to return to Brazil?
According to Rafa, self-discovery helps us find more conscious answers.
When we understand our values, our needs, and what truly matters during each stage of life, we become better equipped to evaluate our decisions.
Monarca also supports women who are still planning an international move, allowing them to learn from other expatriate women’s experiences before making that decision.
Because true ownership of our lives is not about choosing to stay or leave.
It is about making conscious choices that respect who we are and the life we want to build.
Transforming Your Story Without Erasing the Difficulties
Throughout the interview, Rafa shared how proud she feels of the woman she has become since her first international move in 2014.
She recognizes that leaving her career behind was one of the most difficult experiences of her life and, at the same time, one of the most transformative.
Moments of anxiety, frustration, and uncertainty eventually led her toward work that was much more connected to her talents and purpose.
Her story invites us to reflect on life’s unexpected paths.
We cannot always understand a change while we are experiencing its difficulties.
Some answers only become clear later.
And sometimes, what we initially interpret as a detour ends up revealing possibilities we could not see before.
We do not need to have all the answers to keep moving forward. Self-discovery also develops as we live, experiment, and begin again.
Final Reflections: Starting Over Is Also a Way of Rediscovering Yourself
Rafa Benincasa’s story reminds us that immigration changes much more than our address. It can transform the way we perceive our talents, relationships, priorities, and identities.
Living abroad involves loss, challenges, homesickness, adaptation, and discovery.
But it can also create space for new versions of ourselves.
Throughout my own journey in Canada, I have come to understand that feeling at home is also connected to the relationship we build with ourselves.
And regardless of the country we live in, we can continue learning, growing, and making choices aligned with the life we wish to create.
Because starting over does not mean abandoning who we once were. It means allowing our story to continue being written.
This was one of the most meaningful messages from our conversation: we can acknowledge our difficulties, embrace our journeys, and continue building new paths without giving up on our dreams.
Watch the Interview on the Franciele Egher Podcast
If you live abroad, are planning an international move, or are going through a period of personal reinvention, I invite you to watch our full conversation.
🎙️ Immigration, Identity, Self-Discovery, and the Monarca Method — with Rafa Benincasa
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