Não foi de uma hora para outra: os hábitos que transformaram a minha vida
Quando olhamos para alguém hoje, enxergamos apenas uma fotografia daquele momento. Não vemos todos os anos, escolhas, erros, recomeços e pequenas decisões que construíram aquela pessoa.
Muitos dos hábitos que hoje fazem parte naturalmente da minha vida não começaram assim. Meditar, movimentar meu corpo, cuidar das minhas relações, observar minha vida financeira, reservar tempo de qualidade e buscar conhecimento foram escolhas que precisei repetir muitas vezes até que se tornassem parte de mim.
Com o tempo, percebi que uma vida com mais equilíbrio não nasce de uma grande transformação. Ela é construída no cotidiano.
E talvez, para explicar por que penso assim, eu precise voltar um pouco na minha própria história.
Eu comecei a trabalhar aos 11 anos
Minha relação com trabalho, responsabilidade e dinheiro começou muito cedo.
Aos 11 anos de idade, eu já tinha meu primeiro pequeno comércio: uma floricultura.
Eu trabalhava muito, de segunda a segunda, e ao mesmo tempo continuava indo para a escola. Hoje, olhando para trás, percebo o quanto aquela experiência me amadureceu.
Foi ali que comecei a descobrir características minhas que continuariam comigo durante toda a vida.
Percebi que gostava de trabalhos manuais. Descobri que tinha facilidade para vender. Aprendi a conversar com pessoas, assumir responsabilidades, administrar dinheiro e entender que aquilo que desejamos construir exige dedicação.
Ainda muito jovem, consegui conquistar coisas através do meu próprio trabalho. Uma delas foi realizar o sonho de conhecer a Disney.
Naquela época talvez eu ainda não tivesse consciência disso, mas já estava aprendendo uma das grandes lições que carregaria comigo: nossas escolhas de hoje começam a construir a realidade que viveremos amanhã.
Durante muitos anos, eu soube trabalhar. Mas ainda precisava aprender a viver.
Depois vieram outros caminhos.
Tornei-me cabeleireira e passei muitos anos trabalhando na área da beleza. Tive meu próprio salão e o empreendedorismo continuou fazendo parte da minha história.
Eu sabia trabalhar.
Sabia criar.
Sabia vender.
Sabia fazer dinheiro.
Mas por volta dos 22 anos, comecei a perceber que isso, sozinho, não era suficiente.
Meu corpo começou a me obrigar a olhar para coisas que eu vinha ignorando. Eu estava frequentemente doente e já havia passado por diferentes procedimentos e cirurgias.
Foi quando comecei a me fazer perguntas diferentes.
De que adianta construir uma vida por fora se eu não estiver bem por dentro?
Essa pergunta iniciou uma mudança que não aconteceu de um dia para o outro. Na verdade, ela continua acontecendo até hoje.
A espiritualidade sempre esteve presente
A busca espiritual nunca foi algo completamente novo para mim.
Durante uma fase da minha vida, li a Bíblia, tanto o Novo quanto o Antigo Testamento. Mais tarde, meu caminho foi se ampliando e comecei a conhecer as meditações budistas.
Depois vieram as práticas de meditação em silêncio.
Aos poucos, fui entendendo que espiritualidade, para mim, não precisava estar limitada a uma única forma de enxergar o mundo.
Ela podia estar na oração.
No silêncio.
Na contemplação.
Na natureza.
Na maneira como tratamos alguém.
Na consciência com que ganhamos e usamos nosso dinheiro.
Naquilo que repetimos para nós mesmos.
E, principalmente, na forma como escolhemos viver um dia comum.
O mochilão e a experiência de confiar na vida
Anos depois, vivi outra experiência que marcou profundamente essa construção: fiz um mochilão.
Viajar daquela maneira me colocou diante de algo que eu já estudava, mas que precisava experimentar.
Confiar.
Confiar nas minhas escolhas, na vida e na possibilidade de criar caminhos que ainda não estavam completamente visíveis.
Foi nesse período que comecei a colocar ainda mais em prática algo em que acredito: nossas palavras, pensamentos, escolhas e atitudes influenciam profundamente a realidade que construímos.
Para mim, cocriação deixou de ser apenas uma ideia bonita.
Comecei a observar com mais atenção aquilo que eu alimentava dentro de mim.
O que estou repetindo todos os dias?
Onde estou colocando minha energia?
Minhas escolhas estão me aproximando ou me afastando da vida que quero viver?
Quando falamos em “vibração”, eu gosto de trazer isso também para algo muito concreto: aquilo que pensamos influencia aquilo em que prestamos atenção; aquilo em que prestamos atenção influencia nossas escolhas; e nossas escolhas repetidas constroem boa parte da nossa vida.
Quase 20 anos depois, o que realmente ficou?
Hoje, olhando para aproximadamente duas décadas dessa caminhada de mudança de consciência, percebo que não existe uma única prática responsável pela transformação.
Existe um conjunto de pequenos hábitos.
A meditação me ensinou a observar antes de reagir.
O movimento e os exercícios me ensinaram que cuidar da mente também passa pelo corpo.
A espiritualidade me ensinou a encontrar significado para além das coisas materiais.
As amizades e relações verdadeiras me mostraram a importância de construir uma rede de pessoas com quem podemos compartilhar a vida.
O tempo de qualidade me ensinou que estar presente vale mais do que simplesmente estar ocupada.
O conhecimento me mostrou que podemos continuar mudando nossas ideias durante toda a vida.
E a consciência financeira mudou profundamente minha relação com dinheiro.
Porque dinheiro também faz parte de uma vida equilibrada.
Não se trata apenas de ganhar mais. Trata-se de saber quanto ganhamos, quanto gastamos, quais escolhas estamos fazendo e se o nosso dinheiro está servindo à vida que queremos construir.
Foi aí que conceitos como o Ikigai passaram a fazer ainda mais sentido para mim.
Uma vida que faz sentido não é construída apenas encontrando uma profissão ou um grande propósito.
Ela aparece na forma como comemos, trabalhamos, descansamos, gastamos, nos relacionamos e escolhemos usar nosso tempo.
A leveza que eu procurava não significava fazer menos
Durante muito tempo, eu poderia ter confundido sucesso com produtividade.
Hoje entendo diferente.
Leveza não significa ausência de responsabilidade.
Também não significa que os problemas desapareceram.
Para mim, leveza é conseguir atravessar a vida sem carregar tudo com o mesmo peso.
É saber trabalhar e também parar.
É ganhar dinheiro e aprender a administrá-lo.
É planejar o futuro sem deixar de viver o presente.
É cuidar do corpo sem esquecer da mente.
É buscar evolução sem transformar a própria vida em uma eterna cobrança para ser melhor.
Talvez essa seja uma das maiores mudanças que esses quase 20 anos de práticas me trouxeram:
eu continuo construindo, sonhando e realizando — mas hoje tento fazer isso com muito mais consciência.
Você não precisa mudar sua vida inteira hoje
Às vezes, quando pensamos em transformação, imaginamos uma mudança enorme.
Uma nova profissão.
Uma nova cidade.
Uma grande decisão.
Mas a maior parte da nossa vida não acontece nos grandes acontecimentos.
Ela acontece na terça-feira comum.
Naquilo que você come.
Na maneira como começa a manhã.
Nas palavras que repete para si.
Na pessoa para quem decide telefonar.
Nos minutos em que escolhe ficar em silêncio.
No dinheiro que decide gastar ou guardar.
No movimento que oferece ao seu corpo.
Na atenção que dá aos seus filhos, à sua família, aos seus amigos — e a você mesma.
Talvez você não precise transformar tudo.
Talvez precise escolher uma pequena coisa que deseja começar a repetir.
Porque foi isso que aprendi ao longo desses anos:
primeiro fazemos nossas escolhas.
Depois, repetimos nossas escolhas.
E, pouco a pouco, nossas escolhas começam a construir quem somos.
A vida que hoje parece natural para mim foi construída dessa maneira.
Um hábito.
Uma escolha.
Um recomeço.
Um dia de cada vez.
Franciele Egher
Life-Changing Habits: How Small Choices Changed My Story
When we look at someone today, we see only a snapshot of who they are in that moment. We don’t see all the years, choices, mistakes, fresh starts, and small decisions that shaped that person.
Many of the habits that are now a natural part of my life didn’t start out that way. Meditating, moving my body, nurturing my relationships, paying attention to my finances, making time for meaningful moments, and continually seeking knowledge were choices I had to make over and over again until they became part of who I am.
Over time, I realized that a more balanced life doesn’t come from one dramatic transformation. It is built through the choices we make every day.
And perhaps, to explain why I believe this, I need to go back a little into my own story.
I Started Working at 11 Years Old
My relationship with work, responsibility, and money began very early.
At 11 years old, I already had my first small business: a flower shop.
I worked a lot, seven days a week, while continuing to go to school. Looking back today, I realize how much that experience helped me mature.
That was where I began discovering qualities in myself that would stay with me throughout my life.
I realized that I loved working with my hands. I discovered that selling came naturally to me. I learned how to communicate with people, take responsibility, manage money, and understand that building something we truly want requires dedication.
While I was still very young, my work allowed me to accomplish things I dreamed about. One of them was fulfilling my dream of visiting Disney.
At the time, I may not have fully understood it, but I was already learning one of the greatest lessons I would carry with me: the choices we make today begin to shape the reality we will live tomorrow.
For many years, I knew how to work. But I still needed to learn how to live.
Then other paths began to unfold.
I became a hairstylist and spent many years working in the beauty industry. I owned my own salon, and entrepreneurship continued to be an important part of my story.
I knew how to work.
I knew how to create.
I knew how to sell.
I knew how to make money.
But around the age of 22, I began to realize that none of that, on its own, was enough.
My body began forcing me to look at things I had been ignoring. I was frequently sick and had already gone through different medical procedures and surgeries.
That was when I began asking myself different questions.
What is the point of building a beautiful life on the outside if I am not well on the inside?
That question started a transformation that did not happen overnight. In fact, it is a transformation that continues to this day.
Spirituality Has Always Been Present
Spiritual seeking was never something completely new to me.
During one period of my life, I read the Bible, both the Old and New Testaments. Later, my path expanded, and I began learning about Buddhist meditation.
Then came the practice of silent meditation.
Little by little, I began to understand that spirituality, for me, did not need to be limited to one single way of seeing the world.
It could be found in prayer.
In silence.
In contemplation.
In nature.
In the way we treat another person.
In the awareness with which we earn and use our money.
In the words we repeatedly tell ourselves.
And, most importantly, in the way we choose to live an ordinary day.
Backpacking and Learning to Trust Life
Years later, I had another experience that deeply influenced this journey: I went backpacking.
Traveling that way brought me face-to-face with something I had already studied but still needed to experience for myself.
Trust.
Trusting my choices, trusting life, and trusting in the possibility of creating paths that were not yet completely visible.
During that time, I began putting something I deeply believe into practice even more: our words, thoughts, choices, and actions have a profound influence on the reality we build.
For me, co-creation stopped being simply a beautiful idea.
I began paying much closer attention to what I was nurturing within myself.
What am I repeating every day?
Where am I placing my energy?
Are my choices bringing me closer to or further away from the life I want to live?
When we talk about “vibration,” I also like to bring it into something very practical: what we think influences what we pay attention to; what we pay attention to influences our choices; and the choices we repeatedly make shape a large part of our lives.
Almost 20 Years Later, What Has Truly Stayed With Me?
Today, looking back on nearly two decades of this journey of growing awareness, I realize that there is no single practice responsible for transformation.
Instead, there is a collection of small habits.
Meditation taught me to observe before reacting.
Movement and exercise taught me that taking care of the mind also means taking care of the body.
Spirituality taught me to find meaning beyond material things.
True friendships and meaningful relationships showed me the importance of building a community of people with whom we can share life.
Quality time taught me that being truly present is more valuable than simply being busy.
Knowledge taught me that we can continue changing our minds, learning, and evolving throughout our entire lives.
And financial awareness profoundly changed my relationship with money.
Because money is also part of a balanced life.
It is not simply about earning more. It is about knowing how much we earn, how much we spend, what choices we are making, and whether our money is supporting the life we want to build.
That was when concepts such as Ikigai began to make even more sense to me.
A meaningful life is not built simply by finding the right profession or discovering one great purpose.
It reveals itself in the way we eat, work, rest, spend our money, build relationships, and choose to use our time.
The Lightness I Was Looking for Didn’t Mean Doing Less
For a long time, I could have confused success with productivity.
Today, I see it differently.
Living with more lightness does not mean living without responsibility.
It also doesn’t mean that problems disappear.
For me, lightness means learning how to move through life without carrying everything with the same weight.
It means knowing how to work — and also knowing when to stop.
It means making money and learning how to manage it.
It means planning for the future without forgetting to live in the present.
It means caring for the body without forgetting the mind.
It means continuing to grow without turning life into an endless demand to become better.
Perhaps this is one of the greatest changes that nearly 20 years of these practices have brought into my life:
I am still building, dreaming, and achieving — but today, I try to do it all with much greater awareness.
You Don’t Have to Change Your Entire Life Today
Sometimes, when we think about transformation, we imagine something enormous.
A new career.
A new city.
A major decision.
But most of our lives do not happen during the big moments.
Life happens on an ordinary Tuesday.
In what you choose to eat.
In the way you begin your morning.
In the words you repeat to yourself.
In the person you decide to call.
In the minutes you choose to spend in silence.
In the money you choose to spend or save.
In the movement you give your body.
In the attention you give to your children, your family, your friends — and yourself.
Maybe you don’t need to change everything.
Maybe you simply need to choose one small thing you want to start repeating.
Because this is what I have learned throughout all these years:
First, we make our choices.
Then, we repeat our choices.
And little by little, our choices begin to shape who we become.
The life that feels natural to me today was built this way.
One habit.
One choice.
One fresh start.
One day at a time.
Franciele Egher